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Ninguém Merece Texto da semana CINEMA – A sétima arte agoniza. Kátia Hidalgo Daia Cidadã Bertioguense 09/03/2007 Aqui em Bertioga existe apenas um cinema que está sempre para fechar. Por diversas vezes chegou mesmo a paralisar as atividades por algum tempo. Eu, juntamente com um grupo de amigos, decidimos fazer alguma coisa para impedir mais uma vez o seu fechamento. Nos propusemos a convidar o maior numero de pessoas para ir ao cinema uma vez por semana. Fizemos uma lista de amigos e saímos convidando e pedindo para multiplicarem convidando os amigos deles. Preparei email com convite e a sinopse do filme em cartaz e disparei para toda a minha lista de moradores de Bertioga. Fizemos mutirão para divulgar nas diversas comunidades de Bertioga no Orkut, enfim estamos procurando fazer a nossa parte nessa estória. Infelizmente a contrapartida dos proprietários do cinema está pondo em risco todo este esforço. Antes de montar todo este esquema combinamos que eles precisariam trocar o filme semanalmente, porém como eles estão em uma situação crítica não estão conseguindo. Estou tomando contato mais aprofundado com este seguimento agora, mas sei que os cinemas em geral estão passando por crises desde o advento do vídeo cassete. E a cada época que passa o avanço da tecnologia e da pirataria vão tornando as coisas mais difíceis para a sobrevivência da sétima arte. Mas não consigo me conformar que numa cidade de mais de 40 mil habitantes não consiga manter pelo menos um cinema aberto. As variantes são muitas para dificultar este trabalho: - Nosso cinema fica no primeiro andar de um Shopping sem escadas rolantes ou elevador, o que já limita o acesso de muitas pessoas. – A configuração do município em formato de salsicha dificulta a comunicação e o acesso de muitas pessoas pelas longas distâncias. – O poder aquisitivo de grande parte da população é baixo. – Os filmes de lançamento demoram no mínimo um mês para chegar à cidade (quando chegam), com isso muitos já viram nas cidades vizinhas. – Os proprietários precisariam de uma injeção de empreendedorismo e ousadia para vencer as dificuldades do setor e da cidade. Eles me disseram que as distribuidoras recebem uma quantidade de cópias limitada e que a preferência é sempre das grandes redes em detrimento dos pequenos e sozinhos, além do alto custo das fitas, que são pagas na retirada e na entrega. Realmente eu não conheço esse ramo de negócios, mas tenho pra mim que tudo tem solução quando nos associamos com outros que tenham as mesmas dificuldades que a gente. Não seria o caso dos pequenos cinemas montarem uma rede? Procurarem ajuda do Sebrae, sei lá. É uma pena que os proprietários estejam tão desanimados que fica difícil o diálogo com eles. Se alguém tiver alguma idéia, experiência ou sugestão para nos passar fiquem a vontade, ficarei muito feliz em ouvir a opinião de vocês. Afinal, num país já tão pobre de cultura, ninguém merece o fim da sétima arte.
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